Inflação a 5,33% e Selic a 14%: Focus mostra cenário desafiador para 2026
O mercado financeiro elevou a previsão para o IPCA de 2026 de 5,3% para 5,33%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22). Primeiramente, esta é a décima quinta semana consecutiva de alta na estimativa. Mesmo com o anúncio de acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, a inflação segue pressionada. O índice já supera o teto da meta oficial, que é de 4,5%.
Cenário desafiador para a economia
A meta central estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite superior é de 4,5%. Em maio, o IPCA fechou em 0,58%, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%. Para o setor de transporte e logística, a inflação mais alta significa custos operacionais pressionados, especialmente com combustíveis e manutenção. O cenário é desafiador para os transportadores, que precisam lidar com custos crescentes e repasse de preços.
Para 2027, a projeção da inflação subiu de 4,1% para 4,15%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,7% e 3,5%, respectivamente.
Juros em 14% ao ano
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros (Selic) como principal instrumento. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Na última reunião, o Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, pela terceira vez seguida. No entanto, o mercado elevou a estimativa para a Selic no fim de 2026, de 13,75% para 14% ao ano.
O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio dificultou a queda da taxa em ritmo mais elevado. Para os caminhoneiros e transportadores, juros mais altos significam crédito mais caro para renovação de frota e capital de giro, o que agrava ainda mais o cenário desafiador.
Próximos passos do Copom
O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 4 e 5 de agosto. O mercado espera que ocorra a última redução do juro no ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic caia para 12% e 10,25% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.
Impacto dos juros na economia e no transporte
Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece. Isso afeta compras no cartão, parcelamento de produtos e financiamento de imóveis. Consequentemente, o consumo perde força e a expansão da economia fica mais difícil. Para os transportadores, o cenário desafiador se reflete no custo do dinheiro para investir em novos veículos e na dificuldade de repassar os custos para o frete.
PIB e câmbio
A estimativa para o crescimento da economia em 2026 subiu de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a projeção do PIB permanece em 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado estima expansão de 2% para ambos os anos.
No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025. No acumulado de 12 meses, houve expansão de 2%. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, o quinto ano seguido de crescimento.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,27.
Com informações: Agência Brasil
Foto: Foco Logístico
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