40% das exportações em dois países: o risco oculto para a logística brasileira
Dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) indicam que China e EUA concentram cerca de 40% das exportações brasileiras. Primeiramente, essa forte dependência amplia a exposição do país a oscilações políticas, tarifárias e cambiais. Para especialistas, a concentração deixou de ser apenas uma característica do comércio exterior e passou a representar um risco direto à previsibilidade das empresas e de toda a cadeia logística.
Concentração de mercado ameaça a cadeia de suprimentos
A dependência excessiva de poucos mercados expõe as empresas a decisões que fogem do seu controle, como tarifas, embargos ou mudanças regulatórias. Para o setor de transporte e logística, essa vulnerabilidade significa oscilações bruscas na demanda por fretes, desvios de rotas e custos imprevisíveis. Afinal, quando um grande parceiro comercial impõe barreiras, toda a cadeia de suprimentos sente o impacto direto no bolso do transportador e no preço final dos produtos.
Diversificação como estratégia de proteção logística
“Diversificar não é apenas crescer, é proteger receita” , afirma Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head de Tesouraria da Saygo. Movimentos recentes no comércio global reforçam essa percepção. A adoção de tarifas entre grandes economias, além de restrições sanitárias e ajustes em cadeias de suprimento, tem redirecionado fluxos comerciais e forçado empresas a repensarem suas rotas logísticas.
Novos mercados exigem novas rotas
Na prática, empresas brasileiras já começam a direcionar esforços para regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e países europeus fora dos polos tradicionais. A mudança exige adaptação logística, planejamento de novas rotas marítimas e terrestres, além do entendimento de novas regulamentações alfandegárias. No entanto, amplia o potencial de crescimento e reduz a vulnerabilidade do setor.
Desafios operacionais da diversificação
Apesar do avanço do tema, a expansão internacional ainda esbarra em obstáculos operacionais. A falta de conhecimento sobre novos mercados, os entraves logísticos e a ausência de estrutura interna estão entre os principais desafios. “Muitas empresas entendem o risco de concentração, mas não têm clareza de como executar essa mudança” , afirma Oliveira. “Sem estrutura, a diversificação pode gerar mais problema do que solução” , complementa, fazendo um alerta direto ao setor de transporte.
Parceria quer destravar importações da China
Em meio à volatilidade, a Axton Global firmou parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC) para facilitar o acesso a mecanismos de seguro de crédito do governo chinês. O objetivo é ampliar as importações do país asiático realizadas por empresas brasileiras. A colaboração contribui para a otimização do fluxo de caixa e aumenta a segurança das operações internacionais, especialmente para empresas de médio porte que enfrentam restrições de crédito no Brasil.
China segue como principal parceiro comercial
Desde 2004, a China é a principal origem das importações brasileiras. Entre 2019 e 2023, as compras brasileiras do país asiático registraram crescimento médio anual de 10,2%. A nova parceria chega em um momento de intensa colaboração bilateral, buscando dar maior recorrência e segurança às operações, mas não resolve o problema de fundo: a concentração em poucos mercados.
Gestão financeira e risco cambial na logística
A diversificação também impacta diretamente a gestão financeira das empresas de transporte. Operar com diferentes moedas e ambientes regulatórios aumenta a complexidade logística, mas reduz a dependência de um único ciclo econômico. “Quem atua em mais de um mercado consegue equilibrar melhor receita e risco” , explica Oliveira. “Isso traz mais estabilidade no médio prazo” , conclui, um benefício direto para toda a cadeia logística brasileira.
Com informações: Monitor Mercantil
Foto: Foco Logístico
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