Na véspera de Tiradentes, EUA compram única mina brasileira de terras-raras
Na véspera do Dia de Tiradentes, enquanto o Brasil celebrava a luta pela independência, os Estados Unidos fechavam a compra da única mina de terras-raras pesadas do país. Primeiramente, a empresa brasileira Serra Verde foi vendida à mineradora norte-americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. A cereja do bolo veio antes: um mês antes da conclusão do negócio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), já anunciava: “Goiás já fechou com os Estados Unidos”.
O acordo mais importante da gestão, segundo o governador
Durante a formalização do chamado Manifesto de Entendimento, Caiado classificou a iniciativa como histórica. “Este é o momento talvez do acordo mais importante geoeconômico já assinado por um governador do Estado” , declarou. A pergunta que fica é: para quem, afinal, esse acordo é tão importante? Para Goiás e para o Brasil ou para os interesses estratégicos dos Estados Unidos?
Brasil abre mão de ativo estratégico em meio a disputa geopolítica
A mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), é a única produtora fora da Ásia das terras-raras pesadas mais cobiçadas do mundo: Disprosio, Térbio e Ítrio. Esses minerais são insumos fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas, drones, semicondutores, defesa e indústria aeroespacial. Enquanto nações como China e EUA travam uma disputa acirrada por esses recursos, o Brasil assiste passivamente à venda do seu patrimônio mineral estratégico.
“Deus deu a nós a bênção”, disse Caiado. Mas por quanto tempo?
O governador celebrou a abundância dos recursos naturais goianos. “Deus deu a nós a bênção de termos aí a Malminina, Nova Roma, Viliporá e Monte Alegre” , afirmou. No entanto, a bênção divina parece ter sido repassada ao capital estrangeiro por um valor que especialistas consideram aquém do potencial estratégico da região. A produção ainda é modesta, mas a expectativa é dobrar até 2030. Ou seja, o Brasil vendeu uma promessa de crescimento por US$ 2,8 bilhões.
Contrato de 15 anos amarra produção brasileira
O acordo prevê o fornecimento por 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico capitalizada por agências do governo dos EUA. A produção da Fase I será 100% destinada ao mercado americano, com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas. Na prática, o Brasil se torna mero fornecedor de matéria-prima, sem garantir benefícios industriais no longo prazo.
A equipe brasileira fica, mas o controle vai embora
A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira. Dois executivos integrarão a diretoria da USAR. No entanto, o controle estratégico sobre o único ativo do país nesse setor crucial agora está nas mãos de uma potência estrangeira. Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, afirmou que os marcos demonstram “a capacidade do Brasil de desempenhar um papel de liderança”. Mas será que liderar significa vender?
O símbolo de Tiradentes e a independência que não se viu
Na véspera da data que homenageia o mártir da independência, o Brasil concluiu a venda de um ativo estratégico para os Estados Unidos. A ironia não passou despercebida. Enquanto Tiradentes lutou para libertar o Brasil da dominação estrangeira, o governo brasileiro e o governador de Goiás comemoram o alinhamento com Washington. “Goiás já fechou com os Estados Unidos” , disse Caiado. Restaria saber: o Brasil fechou com quem?
Com informações: Agência Brasil
Foto: Foco Logístico
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